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domingo, 30 de agosto de 2015

O ESPELHO DO JAPONÊS


Um conto japonês
 Por Nicéas Romeo Zanchett 
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              Numa pequena aldeia japonesa vivia um casal que muito se amava e estavam sempre felizes. 
              Todos os dias o marido  saía muito cedo para trabalho caminhando pela rua onde poucas pessoas encontrava. 
              Tudo corria às mil maravilhas até que num certo dia, quando andava pensativo e olhando para o chão, encontrou um pequeno espelho de bolso. Imediatamente abaixou-se e o apanhou. Qual não foi seu espanto quando ali viu a foto do seu velho pai já falecido. Depois de muito olhar e matar a saudade embrulhou aquele pequeno tesouro num lenço e o guardou no bolso para que ninguém mais o vice. 
              A noite, ao voltar para casa, tratou de esconder seu precioso retrato. Escolheu um local onde ninguém imaginaria encontrar algo: atras de um armário antigo que havia na cozinha. 
              Todos os dias, antes de sair e quando chegava do trabalho, dava um jeito de ver a fotografia sem que sua mulher percebesse. 
               Sua mulher já andava desconfiada com alguns novos hábitos do marido, mas nada falou. Até que numa noite ficou espionando a chegada do fiel companheiro. Como sempre, ele chegava e ia ver a fotografia do seu falecido pai. Dessa forma ela descobriu que ali havia um segredo. 
              Como todos sabem não pode haver segredo entre marido e mulher japonesa. Todos sabem também que os japoneses são fisionomicamente muito semelhantes e isso muitas vezes causa confusão de identidade.
               Ela esperou o marido dormir e foi ver o que havia de tão importante atrás daquele armário. Ao olhar o espelho seu susto foi imediato; seu marido tinha outra mulher e aquela era a fotografia que provava tal fato. 
                Durante a noite ela não conseguiu dormir e logo pela manhã interpelou o marido; 
                - Então você anda me traindo com outra! e não adianta negar porque tenho a prova.
                - Como pode pensar isto? você é a única em minha vida e sabe muito bem disso. 
                - Mentiroso! Traidor! aqui está a prova; uma foto dela que encontrei atrás do armário. 
                - Calma mulher; esta foto é do meu falecido pai.
                - Como pode ser tão cínico? 
                E a discussão não tinha fim. 

                Naquele momento, por ali passava um velho monge que todas as manhãs andava pela rua meditando e orando. Diante de tão feroz discussão, resolveu intervir para apaziguar o casal. Aproximou-se   e da porta perguntou o que estava acontecendo para tal discussão. 
                A mulher, ainda cheia de raiva, explicou:
                - Meu marido está me traindo com outra; encontrei uma foto dela que ele mantinha escondida atrás do armário. 
                - Deixe-me ver, disse o velho monge. E apanhou o pequeno espelho.
                - Ora, minha senhora, não é nada do que está pensando; Esta foto é do meu irmão, que também era monge e morreu no mar, durante uma tempestade, quando pescava. Esta foto lhe pertencia e deve ser levada ao local onde ele faleceu para que ele finalmente descanse em paz. E foi embora levando a foto que depois atirou ao mar. 
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MORAL DA HISTÓRIA
Às vezes julgamos pelas aparências e não aceitamos explicações. É preciso ter calma e sempre ouvir os dos lado da história para juntos chegar a um acordo. 
Nicéas Romeo Zanchett 

domingo, 12 de julho de 2015

PARÁBOLA DO TALMUD SOBRE A DEMOCRACIA

Embora não pratique nenhuma religião, costumo estudar todas aquelas que procuram transmitir bons ensinamentos com princípios voltados para o bem da humanidade, do amor ao próximo, à natureza e aos animais.
Foi nos meus estudos sobre o Talmud que me deparei com uma interessante fábula sobre a democracia. Ela é bem elucidativa para o momento do Brasil que está mergulhado na corrupção política que desemprega e agrava a fome dos menos favorecidos. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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PARÁBOLA CONTRA A DEMOCRACIA. 
                    Conta-se no Talmud que um velho e sábio rabino chamado Josué afirmava que enquanto as baixas camadas se submeterem à direção das altas camadas da sociedade tudo irá bem. As últimas decretam, e Deus confirma. Dessa forma resulta a prosperidade do Estado. Mas quando as altas camadas, por motivos corruptos ou falta de firmeza, se submetem, ou são influenciadas pelas opiniões das camadas sociais com pouco conhecimento administrativo, é certo caírem juntas; e a destruição do Estado será inevitável. Para ilustrar seu pensamento relatou a fábula da cauda e da cabeça da serpente. 
                    Por muito tempo, a cauda da serpente tinha seguido a cabeça, e tudo estava bem. Um dia começou a estar descontente com este arranjo da natureza, e dirigindo-se nestes termos à cabeça: 
                    - Há muito tempo que observo com indignação o teu injusto procedimento. Em todas as nossas viagens, és tu que tomas a dianteira, enquanto eu, como um criado servil, sou obrigado a seguir-te. És sempre a primeira a aparecer em toda a parte e eu, como um miserável escravo, tenho que andar atrás.  Isto é justo? Não sou eu um membro do mesmo corpo? Porque não poderei dirigi-lo tão bem como tu? 
                    - Tu, exclamou a cabeça, tu, rabo imbecil queres dirigir o corpo? Não tens olhos para ver o perigo, nem ouvidos para te avisarem dele, nem cérebro para o evitar. Não entendes que é para tua vantagem que eu dirijo e o guio pelo melhor caminho? 
                   -  Para minha vantagem, não é verdade, disse a cauda. Essa é a mesma linguagem de todos os usurpadores. Pretendem reger para o bem dos seus escravos; mas não me submeterei mais tempo a semelhante estado de coisas. Insisto que a partir de agora devo tomar a dianteira.  
                   - Pois bem, replicou a cabeça, já que se diz tão competente, que assim seja; mas depois não diga que não o avisei dos perigos. Portanto a partir de agora guia tu e veremos.
                   A cauda regozijou-se e tomou a dianteira. A primeira façanha foi arrastar o corpo para uma fossa de lodo. A situação não era das mais agradáveis. A cauda lutou muito andando sem rumo apalpando os obstáculos que não conseguia ver. Com grande esforço conseguiu sair da lama; mas o corpo estava tão coberto de imundice que nem parecia pertencer à mesma criatura. A façanha seguinte foi enroscar-se sobre cipós e espinhos selvagens. A dor foi intensa; o corpo inteiro ficou ferido gravemente. Aqui teria sido o fim de tudo se a cabeça não tivesse vindo a seu reboque; mostrou-lhe então a melhor maneira de sair daquela situação e assim foram salvos. Mas a cauda não se conformou com seus próprios erros e insistiu em continuar administrando a  dianteira. Continuou a marchar; e quis o acaso que entrasse numa fornalha acessa à mais de mil graus. Em questão de segundos começou a sentir os efeitos do calor que ameaçava destruí-lo em poucos minutos. O corpo inteiro ficou congestionado; foi um lance terrível. Mais uma vez a cabeça veio em seu auxilio na tentativa de salvar a todos. Mas já era bastante tarde e a cauda havia sido consumida pelo fogo. Apesar dos esforços da cabeça, o fogo continuava implacável destruindo rapidamente o resto do corpo. Portanto a cabeça também foi destruída.
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MORAL DA HISTÓRIA : A destruição da própria cabeça foi permitir ser guiada pela cauda. Esse será seguramente o destino das altas camadas se se permitirem serem dominadas pela vontade de políticos inexperientes e populistas. 
NOTA FINAL: O Brasil está vivenciando essa mesma situação por ter entregue seu destino nas mãos de políticos corruptos, populistas, desonestos e incompetentes. 
Nicéas Romeo Zanchett 
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

TIGRE, O PEREGRINO E A RAPOSA.


               Na Índia havia um tigre que costumava atacar os viajantes que passavam pela floresta onde ele morava. As tribos locais então resolveram capturá-lo para evitar uma tragédia, pois o animal estava cada dia mais agressivo. 
              O tigre foi capturado e deixado na beira de um caminho para que lhe fosse fornecido alimento e água. Mas o animal não se conformou e em vão lutava desesperadamente para sair daquela armadilha. 
              Numa certa manhã passava por ali um peregrino que se compadeceu e lhe deu algum alimento, mas o tigre se mostrava furioso e mordia as barras de ferro com raiva, queria sair daquele lugar e voltar para floresta. Depois de comer a porção oferecida pelo peregrino pensou: "este peregrino me parece um bom homem e posso convencê-lo a libertar-me". Então disse ao peregrino:
               - Piedoso homem, solte-me desta gaiola pois preciso voltar para minha família. 
              O peregrino ficou comovido, mas estava com medo daquela enorme fera e disse-lhe:
               - Não posso fazer isso porque que se o fizesse o amigo, que está com muita fome, certamente me comeria.
                - Ora, eu jamais faria isso com uma pessoa tão boa que me tenha ajudado num momento tão difícil, retrucou o tigre. - Pelo contrário, ser-lhe-hei eternamente grato. 
                Tanto chorou, jurou  e suspirou que o peregrino resolveu arriscar-se e libertá-lo. Em seguida deu-lhe de beber da água que trazia para sua viagem. 


             Já em liberdade, o tigre disse: 
              - Lamento, mas estou com muita fome e terei de comê-lo para saciar-me. Na verdade você foi muito bobo em confiar nas palavras de um preso faminto e agora nada pode fazer para impedir-me.
              Em vão o peregrino tentava convencê-lo a seguir seu caminho e voltar para floresta. Resolveu então apelar pela ajuda da árvore que lhes fazia sombra, mas esta respondeu-lhe friamente: 
              - De que se queixa você? Eu estou aqui ha muito tempo, sempre dando sombra a todos que passam sem nada receber em troca. O que me fazem é quebrar meus galhos e arrancar minhas folhas. Você foi um bobalhão e agora não deve chorar por sua ingenuidade.
              O peregrino ficou muito triste com aquela resposta quando avistou, ao lado de um rio, uma vaca que pastava. Resolveu pedir-lhe ajuda, mas o resultado não foi nada melhor. Disse-lhe a vaca: 
             - Você é um tolo se espera por gratidão de alguém. Olhe para mim que forneci leite de boa qualidade aos filhos do meu dono e só recebi capim magro em troca; agora que estou velha e não produzo a quantidade de leite que precisam eles me abandonaram e tenho que comer qualquer coisa para não morrer de fome. 
              O peregrino, não vendo mais ninguém, dirigiu-se à estrada pedindo sua opinião.
               - Meu caro viajante - disse a estrada - noto que é realmente um tolo em imaginar que soltando esta fera teria sua gratidão. Veja o meu caso; estou aqui sendo útil a todos: ricos e pobres, grandes e pequenos, todos passam sempre por aqui e jogam cinzas, pontas de cigarro, latinhas, garrafas descartáveis, lixo de toda a espécie sem se importar como me sinto. 
                Com tantos depoimentos desanimadores o peregrino já se preparava para morrer.
                Atras de uma moita havia uma esperta raposa que a tudo observava sem dizer nada. Vendo a situação do peregrino resolveu intervir. 
                 - E então, senhor peregrino; está parecendo um peixe fora d'água!
                 O peregrino explicou-lhe tudo o que tinha acontecido.
                 O tigre só olhava e esperava o momento de sua farta refeição.
                  Depois de ouvir sua história disse-lhe a raposa:
                 - Mas em que embrulhada o senhor se meteu. Mas faça-me o favor de contar tudo de novo que não entendi nada. Parece uma grande trapalhada. 
                 O peregrino repetiu a mesma história por várias vezes e a raposa sempre dizia que não havia entendido. 
                O tigre já não aguentava aquela história sendo repetida sem que a raposa entendesse. Para abreviar o assunto e poder comer finalmente o peregrino resolveu explicar ele mesmo para que a raposa fosse logo embora. 
                - Esse palerma não está sabendo explicar. Eu estava preso naquela jaula e no momento que ele passava por aqui ficou com pena de mim e me soltou. 
                Fingindo estar com muito medo daquelas garras a raposa disse:
                 - Naturalmente, senhor; finalmente estou compreendendo, mas minha cabeça está um pouco zonza; Vejamos: o tigre estava no peregrino e a jaula vinha passando, Foi isso que aconteceu?  O tigre, já revoltado, mas disposto fazer a raposa entender disse: 
                 - Você é outra estúpida, mas hei de fazê-la entender porque sou muito inteligente. Ouça: eu sou o tigre, esse é o peregrino, e esta é a jaula. Então a raposa percebeu que seu plano estava dando certo e disse: 
                 - Ainda não entendi onde o senhor tigre estava. 
                 Nesse momento o tigre perdeu a paciência, entrou na jaula e disse: 
                  - Estava aqui dentro preso, sua ignorante!. 
                  A raposa imediatamente trancou a parta da jaula e disse: 
                  Agora finalmente entendi tudo e dessa forma as coisa voltam a ser como estavam. 
                 O peregrino agradeceu à raposa e segui seu caminho. 
Nicéas Romeo Zanchett 

domingo, 17 de agosto de 2014

O FIEL CÃO DO HERÓI ULISSES - Da guerra de Tróia

Argus o fiel cão de Ulisses
Por Nicéas Romeo Zanchett 
                 A guerra de Troia é uma das mais antigas e conhecidas histórias do Mundo. Seu heroi foi Ulisses, também chamado de Odisseu. 
                 Esta é uma história comovente sobre seu fiel cão que nunca o esqueceu e esperou por sua volta até o final da vida.
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                 Antes de Odisseu (Ulisses) partir de sua casa para lutar nas guerras de Troia, nasceu um cãozinho que cresceu e se tornou um grande e lindo galgo. 
                  Odisseu adorava seu belo cão e deu-lhe o nome de Argus. Seu amor era muito bem retribuído por seu fiel cão que ladrava e mostrava-se muito satisfeito sempre que ele chegava de algum lugar. Passava seus dias acompanhando-o, fazendo festas, sempre abanando e mostrando seu profundo amor ao seu dono. Sempre que o herói estava em casa, passavam o tempo todo juntos.  Isso aconteceu até sua partida para a Guerra de Troia.
                  Odisseu (Ulisses) ficou muitos anos auzente. Quando partiu, seu fiel cão ainda era jovem, mas o tempo passou e mesmo após dez anos de luta continuou viajando ainda por muitos anos até finalmente regressar para sua mulher e seus verdadeiros amigos. 
                   Durante todo esse tempo Argus envelheceu, mas nunca esqueceu seu dono e nem deixou de esperar por sua volta. 
                    Quando, enfim, chegou a Itaca já estava muito envelhecido e mudado pelo sofrimento que passou durante aqueles anos de constantes lutas. Dirigiu-se ao palácio, onde ninguém o reconheceu. Mas Argus estava lá, junto ao portão à sua espera; quando viu Odisseu e ouviu sua voz, abanou o rabo, e usando suas últimas forças foi ao encontro do seu dono; com muita dificuldade levantou a cabeça, como se quisesse despedir-se, e morreu. Odisseu não se conteve e chorou amargamente. Chegava ao fim da vida o seu mais fiel amigo e único que o reconheceu em sua volta para casa.
Nicéas Romeo Zanchett 
Você pode conhecer a hiustória completa de Ulisses em >AS MAIS VELHAS HISTÓRIAS DO MUNDO

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

UM SEGREDO BEM GUARDADO - Nicéas Romeo Zanchett


                   Essa história aconteceu nos Pampas Gaúcho. 
                   Havia um velho fazendeiro que vivia com medo de feitiçaria. Um dia chegou em casa se mostrando muito assustado e sua mulher lhe perguntou o que estava acontecendo. Ele lhe respondeu:
                   - Trata-se de um segredo e não posso contar para que não se espalhe pela vizinhança.
                   - Mas você não confia na sua própria mulher? pode contar que da minha boca não sai nem pensamento.  
                   Sua mulher ficou muito curiosa e tanto insistiu que ele acabou contando uma história bem estranha. Disse ele: 
                   - Você não imagina o que aconteceu com a "Mocha", nossa vaca holandesa que mais dá leite; e continuou, tenho medo até de pensar, mas vou falar se me prometeres não contar a ninguém. 
                   - Imagine! tu sabes que sou um túmulo. Podes ficar tranquilo. 
                   - Está bem, mas olha lá se não vais dar com a língua nos dentes! Hoje, pela manhã fui até a estrebaria e qual não foi meu susto; a "Mocha" defecou um corvo bem preto que saiu voando; só pode ser feitiçaria da braba que mandaram pra nos prejudicar. 
                   - Nossa! meu amor. Pode ficar tranquilo que ninguém mais vai saber, pois da minha boca não sairá nem um pio. 
                   Mas o segredo ficou martelando o cérebro da gaúchinha. No dia seguinte, quando o marido saiu para campear, ela rumou imediatamente para a casa de uma amiga muito próxima. Chegou e foi logo dizendo: 
                   - Vim aqui falar contigo porque já não aguento mais; este segredo do meu marido está me torturando desde ontem. 
                   A amiga, que era a mais fofoqueira dos pampas, ficou tão curiosa que foi logo suplicando: 
                   - Contes logo senão quem morre angustiada sou eu.  
                   Está bem, mas tu vais me prometer que não contará a ninguém, nem a seu marido; e começou a contar ocorrido:  
                   - Imagine você que a nossa "Mocha", a melhor vaca leiteira de toda a região, está enfeitiçada; ontem ela defecou dois corvos, que airam voando, e deixou meu marido apavorado. 
                    - Nossa! isto é mesmo muito esquisito, mas fique tranquila que ninguém mais saberá; este segredo vou levar para o túmulo. 
                    Quando o marido chegou, ela não aguentou e contou-lhe:
                    - Gaudêncio, você não sabe da maior tragédia que aconteceu na fazendo do velho Simão. Vou te contar porque senão morro angustiada. Imagine você que a Maria esteve aqui e me contou que a vaca "Mocha" da fazenda deles defecou dez corvos pretos que saíram voando; trata-se de um poderoso feitiço que jogaram no velho Simão. Eu te contei porque és meu marido, mas é um grande segredo e não podes contá-lo a ninguém. 
                     - Nossa! que barbaridade the! E prometeu solenemente que não contaria a ninguém. 
                    No dia seguinte era domingo e todos costumavam se reunir no bar Ernesto depois da missa. O simpático gaúcho Gaudêncio, depois de tomar alguns tragos de cachaça, começou seu falatório. 
                      - Eu sei de um segredo que é uma bomba! mas não posso contar porque prometi pra minha mulher.
                      Não demorou muito e todos se achegaram pra perto do gauchão, insistindo que contasse. Ele então falou: 
                      - A fazenda do velho Simão está enfeitiçada. A vaca mais leiteira dele defecou sessenta corvos pretos que saíram voando pelos pampas. 
                      E dessa forma a notícia espalhou-se como plumas ao vento até que o padre do local foi chamado com urgência. Chamaram também o velho Simão para contar sobre o acontecido. Ele então explicou: 
                     - Na verdade, trata-se de uma brincadeira que fiz para conhecer o tamanho da língua da minha mulher; ela sempre se orgulhou de saber manter nossos segredos e vejam o que aconteceu. 
                     Quando a gaúcha soube da verdade mandou que o velho Simão fosse dormir na estrebaria. Três noites de castigo.
Nicéas Romeo Zanchett 

MORAL DA HISTÓRIA: Um segredo não se conta para ninguém; se mais de um souber logo todos saberão. 
                      
                  

AS ARMADILHAS DA VIDA - Nicéas Romeo Zanchett


                Houve um rei chamado Dario que tinha três filhos a quem amava muito. Depois de reinar por longos anos envelheceu e estava no leito da morte. Tinha então que dividir os seus bens entre os filhos. 
                Sentindo muitas dores, passou a noite pensando em como cumprir esta  última tarefa com a mesma justiça que sempre norteou suas decisões. Então decidiu: ao primogênito legou o seu reino; ao segundo filho todos os bens pessoais; ao terceiro um anel de ouro, um colar e uma valiosa peça de tecido. O anel tinha o poder conquistar as pessoas e despertar amor naquele que o usasse; além disso, obtinha-lhe tudo aquilo que desejasse. O colar permitia que quem o estivesse usando ao pescoço obtivesse o que seu coração mais desejasse; e o tapete tinha a virtude de permitir a quem sentasse sobre ele e pensasse para onde queria ir e imediatamente lá se encontraria.  O rei deu essas três  dádivas ao filho mais novo para ajudá-lo nos estudos e depois vencer na vida; mas sua mãe deveria conservar consigo seu dote ate ele ter mais idade, pois ainda era muito novo. Feito isto o velho monarca morreu em paz e foi enterrado com todas as honras tão merecidas,  sempre acompanhado pela multidão que muito o amava. 
               Os dois filhos mais velhos logo tomaram posse de suas heranças e cada um procurou administrar seu legado à sua maneira. 
               A mãe resolveu entregar logo o anel ao filho mais novo, mas deu-lhe logo o aviso para tomar toda a cautela com os artifícios das mulheres, porque se assim não o fizesse iria perdê-lo. Este tomou posse do anel e com muito esmero dedicou-se inteiramente aos estudos. Um dia, porém, caminhando pela rua viu uma mulher tão bela que imediatamente  apaixonou-se; ela era uma prostituta interesseira, mas, mesmo assim tomou-a para sua mulher e companheira. Continuou usando o anel e dessa forma agradava a todas as pessoas e tinha tudo o que desejava.
                Tudo corria às mil maravilhas, mas sua mulher vivia imaginando como era possível ele viver em tão grande esplendor  não tendo nenhum bem material; ela então aproveitou-se de um dia em que  ele estava muito alegre para abraçá-lo carinhosamente e dizer que jurava não haver ninguém no mundo que o amasse tanto quanto ela. Dessa forma, imaginava ela, ele deveria dizer-lhe com que meios sustentava todo aquele luxo em que viviam. Ele, nada suspeitando, explicou-lhe tudo sobre as virtudes do anel herdado de seu pai. Sabendo a verdade ela  ficou a imaginar como apoderar-se daquele anel; disse-lhe então:
                 - Acho que deves tomar muito cuidado com seu tesouro tão valioso; temo que nas tuas relações diárias  com muitas pessoas não confiáveis podes perdê-lo, portanto, é melhor deixar-me guardá-lo em lugar seguro. Confiando em suas suplicas, deu-lhe o anel; e, quando teve necessidade dele, ela afirmou com muita veemência que os ladrões o tinham levado. Ele ficou muito inconformado e desesperou-se por não ter mais meios de subsistência; sem saber o que poderia fazer foi falar com sua mãe contando-lhe tudo o que havia ocorrido.
                     - Meu filho, disse sua mãe, eu te avisei sobre as espertezas das mulheres e não deste atenção aos meus conselhos.  Mas, aqui tens o colar deixado por seu pai; guarda-o com mais cuidado. Se perderes ficarás sem uma coisa muito importante para sua vida. 
                     O filho tomou o colar e logo voltou aos estudos. Quando chegou à cidade sua amante veio imediatamente, mostrando-se muito alegre com sua volta.  Ele continuou vivendo com ela e sempre usando o colar ao pescoço; dessa forma continuava possuindo tudo o que desejava.  Como antes, vivia com muito luxo e sua mulher continuava admirada, por saber que não possuía bens, nem ouro e nem prata alguma. Depois de muito pensar chegou á conclusão de que ele tinha  conseguido outro talismã e habilmente arrancou-lhe a história do colar maravilhoso. 
                    - Porque, perguntou ela, sempre andas com esse colar? Deveria pensar em coisas mais importantes para sua vida e deixar-me guardá-lo. 
                    - Não, disse ele, perderias o colar como perdeste o anel e assim farias um mal irreparável para nós dois.
                    - Oh meu querido senhor, respondeu ela, por ter perdido aquele anel aprendi muito bem como guardar as coisas importantes e te asseguro que ninguém o tirará de mim. 
                    Mais uma vez, o ingênuo jovem confiou nas suas palavras e entregou-lhe o colar. 
                    Passados alguns dias, quando tudo que tinha se esgotou, pediu o colar , mas ela, como da primeira vez, jurou solenemente que tinha sido roubado. 
                    Diante dessa notícia o jovem entrou em desespero e disse-lhe:
                    - Eu deveria estar doido; como fui entregar-lhe o colar depois de ter perdido o anel? 
                    Mais uma vez saiu e foi à procura de sua mãe contando-lhe tudo. Ela, muito aflita, ouviu toda a história do filho e então lhe disse: 
                     - Oh meu querido filho, por que confiaste novamente nessa mulher? Vão pensar que és um maluco; já não tenho mais nada a lhe dar a não ser aquele tapete de tecido que seu pai deixou.  É tudo o que tenho e vou dá-lo a ti, mas se perderes não me procures mais. 
                    O filho recebeu o tapete e voltou novamente aos estudos. A prostituta mostrou-se muito alegre; e ele, desdobrando o tapete, disse-lhe: 
                     - Minha querida, meu pai legou-me este belo tapete de tecido árabe; vem sentar-te nele a meu lado. Ela aceitou o convite e o jovem, em segredo, desejou que fossem transportados para um lugar onde não houvesse mais ninguém. O talismã foi muito eficaz e transportou-os para uma floresta nos confins do mundo, onde não havia traço algum de gente. Depois de ter percebido o que havia ocorrido ela entrou em desespero, chorando inconsolavelmente. Mas o jovem não se importou com suas lágrimas e disse-lhe: 
                      - Se não me devolveres o anel e o colar eu a deixarei sozinha para ser devorada pelas bestas e feras que vivem aqui. Ela então prometeu-lhe que, tão logo pudesse, assim o faria.
                      Depois ela mostrou-se muito carinhosa e mais uma vez jurou que nunca o deixaria, pois o amava acima de qualquer coisa. O jovem, acreditando naquelas falsas promessas, contou-lhe toda a história do tapete que havia herdado de seu pai; depois, sentindo-se cansado, deitou-se sobre ele e adormeceu profundamente.
                     A mulher, vendo a oportunidade, retirou cautelosamente o tapete debaixo do seu corpo e, sentando-se sozinha sobre ele desejou voltar para à sua cidade, para onde foi imediatamente transportada.
                    O jovem príncipe lá ficou dormindo, sem saber dos perigos que corria. Quando acordou percebeu que tanto o tapete como sua amante haviam desaparecido e não se conteve, chorando desesperadamente.  Não sabia o que fazer nem para onde deveria ir. Então levantou-se e saiu caminhando por uma estrada que havia naquela floresta, chegando às margens de um grande e profundo rio. Para continuar sua caminhada deveria atravessá-lo; mas, ao tocar nas suas águas, percebeu que eram muito quentes e também amargas; seus pés estavam feridos, mas mesmo assim continuou caminhando por um atalho que havia junto às margens do rio. Durante a caminhada sentiu muita fome e resolveu procurar alguma planta comestível que houvesse por ali. De repente avistou uma frondosa árvore e dela pendiam apetitosos frutos; foi até ela, comeu alguns que o deixaram leproso, mas continuou sua caminhada. Depois de muito andar chegou a um outro rio e entrou nele para lavar a aliviar seus pés que imediatamente ficaram curados; avistou uma outra árvore com belos frutos e ao comê-los ficou curado da lepra. Levou consigo um pouco daquela água e dos frutos benfazejos e continuou sua caminhada.
                     Passados vários dias chegou a um velho castelo onde encontrou dois homens que lhe peguntaram: 
                    - Quem é o senhor e qual sua profissão? 
                    - Sou médico, respondeu. 
                    - Que sorte!, responderam eles; o nosso rei está muito doente, com lepra, e ninguém consegue curá-lo. Se o curar será muito bem recompensado. 
                    Ele antão prometeu que faria tudo o que estivesse ao seu alcance e em seguida foi conduzido até os aposentos do rei enfermo. Lá chegando deu-lhe imediatamente a fruta da segunda árvore, curando-o instantaneamente. Em seguida deu-lhe um banho com a segunda água e suas carnes e pele se regeneraram imediatamente.  Foi muito bem recompensado a ali ficou por alguns dias. Depois embarcou num navio com destino à sua terra natal. 
                   Chegando em sua cidade fez correr a notícia de que havia chegado um grande médico especialista na cura da lepra. 
                   A sua ex mulher havia se tornado muito rica fazendo uso do anel e colar que lhe roubou, mas estava muito doente e solicitou que lhe trouxessem o novo médico da cidade. Já haviam passados muitos anos e os dois estavam bem diferentes; ela não o reconheceu, mas foi imediatamente reconhecida pelo jovem príncipe que todos acreditavam ser um grande médico. 
                   Ao se aproximar da enferma foi logo dizendo que só os remédios não a curariam; era necessário que confessasse se arrependesse dos seus pecados, e que se tivesse roubado alguém deveria devolver todo o produto do roubo. 
                   A senhora, cuja doença se agravava a cada dia,  tinha muito medo de morrer e fez tudo o que o médico lhe mandou. Confessou ao seu ouvido: 
                   - Eu roubei os bens de uma pessoa que confiava em mim e agora vou morrer, mas se me salvar, prometo que nunca mais roubarei. 
                   Então o jovem príncipe e falso médico perguntou-lhe: 
                   - Minha senhora, onde estão guardados os talismãs? 
                   - Naquela mala, respondeu ela baixinho para que ninguém mais ouvisse, e entregou-lhe a chave que trazia pendurada ao pescoço. 
                   Assim o jovem príncipe recuperou todo o legado de seu pai e, logo em seguida, cuidou da senhora enferma. Esta ficou curada, mas continuou pobre como era antes de conhecê-lo. Em seguida o jovem príncipe foi à procura de sua mãe e contou-lhe tudo o que lhe ocorrera durante aquele tempo em que esteve ausente. Sua mãe ficou muito feliz com sua volta e disse-lhe: 
                   - Meu querido filho, a vida é cheia de armadilhas; precisas ficar sempre alerta para não ser levado por promessas de mentirosos. 
                   Depois de toda essa aventura, mãe e filho ainda viveram muitos anos e ambos acabaram seus dias em paz. 
Nicéas Romeo Zanchett
                    
                     


domingo, 3 de agosto de 2014

A FONTE DA JUVENTUDE

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Por Nicéas Romeo Zanchett 
Esta é uma história muito antiga que chegou até nós contada por pais e avós ao longo dos séculos. É muito interessante e importante que a lenda não se perca no tempo.
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A FONTE DA  JUVENTUDE 
                    Na antiga Rússia havia um czar que adoeceu muito e nenhum médico conseguia descobrir a cura para sua moléstia. 
                    Num certo dia, quando os campos estavam cobertos pela geada, apareceu um velho e lhe disse: Meu caro czar, quando eu era moço meus pais me contaram sobre um país muito distante onde  existe "A Fonte Juventude"; dela brota uma água divina que todos chamam  de "água da vida" e quem consegue bebê-la se mantém jovem. O senhor está doente porque envelheceu. Aconselho que um dos seus filhos vá até lá e traga-lhe uma pequena quantidade que assim o senhor voltará a ser jovem e estará curado.
                   O velho rei, que tinha grandes posses e muito ouro disponível, imediatamente chamou o filho mais velho e o mandou em busca daquela água que seria sua salvação. 
                    Seu filho, cujo nome era Miguel, partiu imediatamente, levando consigo muito dinheiro. Mas no meio do caminho chegou a um lugarejo chamado Cidade dos Prazeres e lá ficou divertindo-se e desistiu de ir à frente. 
                    Já havia passado muito tempo e Miguel não voltava. Então o rei resolveu mandar seu segundo filho, o príncipe Pedro que, depois de muito andar, finalmente encontrou seu irmão. Este lhe mostrou como era maravilhosa a vida naquele lugar e Pedro por lá ficou também. 
                    O rei só tinha mais um filho e não queria arriscar sua vida, mas estava cada dia mais doente e queria salvar-se. Teria de mandar o príncipe Vladimir para descobrir oque havia acontecido com seus outros dois filhos. Imaginava que tivessem morrido no caminho. Vladimir era o único filho que lhe restava e temia que o mesmo acontecesse com ele, por isso estava relutante.
                     Vladimir amava muito seu velho pai e estava profundamente triste e preocupado com sua moléstia. Numa certa noite, quando todos estavam recolhidos, Vladimir partiu secretamente para ir buscar a água da salvação para seu pai.  
                      Depois de muito caminhar, atravessou a Cidade dos Prazeres e deparou-se com um grande deserto, que lhe custou mais de vinte dias para atravessá-lo, chegando finalmente às de um grande mar; ali encontrou uma velha mulher e lhe perguntou se podia indicar-lhe o caminho para chegar à Terra da Juventude, onde havia a milagrosa fonte. 
                      A velha então lhe respondeu:
                      - Já tenho mil anos e nunca ouvi falar dessa tal terra; mas tenho alguns amigos que talvez a conheçam.  Ela então aproximou-se do mar e tocou uma pequena corneta que sempre levava consigo; a água começou agitar-se e, de repente, surgiu uma multidão de peixes que atendiam ao chamamento. Ela lhes indagou sobre a tal cidade, mas nenhum deles conhecia a Terra da Juventude. 
                     Quando Vladimir, desconsolado, ia se retirando eis que surge uma enorme baleia, toda apressada, que falou com a velha senhora. Vladimir não conseguiu entender nada do que disse a baleia, mas ficou aguardando e ouvindo a conversa das duas. A velha então perguntou à baleia: 
                     - Já que conhece a cidade, poderia me fazer o favor de levar este belo jovem até lá?
                     - Certamente, respondeu a baleia; mas ele terá de esperar até a chegada da meia noite para que a Fada da Fonte e os seus dois dragões estejam adormecidos. 
                     Vladimir estava ansioso e impaciente à espera da meia noite. Quando finalmente chegou a hora, o jovem príncipe acomodou-se sobre o dorso da baleia e imediatamente partiram. 
                     Durante a viajem, o jovem Vladimir  sentiu muito medo, mas seu amor pelo velho pai o fez superar tudo. 
                     Finalmente chegaram a uma belíssima praia numa ilha muito escondida, que era a tal terra encantada, onde todos sonhavam viver, ou pelo menos visitar e beber da água milagrosa. Desceu do dorso da baleia fazendo gestos de agradecimento e começou sua cainhada rumo à fonte prometida.  Chegando lá encontrou a Fada que dormia ao lado de seus enormes dragões. Sem perder tempo, correu até a fonte e encheu duas garrafas, que trazia consigo, com a água mágica. Mas, quando viu o rosto da Fada, ficou tão encantado com a beleza dela que resolveu levar a água a seu pai e depois voltar para ver se conseguia casar-se com ela. Foi amor à primeira vista. Para que, na sua volta, ela o reconhecesse, o príncipe pôs-lhe em volta do pescoço, um colar de pedras preciosas com uma medalha, onde estava estampado seu retrato. 
                      Feito isto regressou, em cima da baleia; em agradecimento, procurou a velha que o ajudara e deu-lhe uma das garrafas de água milagrosa. Ela imediatamente bebeu e transformou-se numa belíssima jovem. Depois atravessou o deserto e, por acaso, na Cidade dos Prazeres, encontrou seus dois irmãos. Tentou convencê-los a voltar com ele para casa, mas estes se recusaram. Imaginando que seus irmãos eram como ele, mostrou-lhes a outra garrafa que havia conseguido para salvar seu pai. 
                      Miguel e Pedro, que eram muito gananciosos e maus, mataram-no e levaram a garrafa ao czar dizendo que Vladimir tinha sido assassinado numa terra muito distante. 
                      O velho pai, cuja doença havia piorado, bebeu a água; tornou-se um belo moço e ficou tão agradecido que proclamou Miguel governador de todo norte da Rússia e deu a Pedro o domínio de todo o sul daquele grande país; mas, enquanto proclamava os poderes aos seus maus filhos, surgiram dois enorme dragões e os mataram. Num dos dragões vinha montada a Fada e no outro Vladimir.

                     A Fada havia se encantado com o retrato de Vladimir e, ao acordar, saiu em sua procura. Encontrou seu corpo e, por meio da água mágica,  lhe restituiu a vida.  Ela então contou ao czar o motivo porque tinha morto os seus dois filhos mais velhos e em seguida voltou com Vladimir para a Terra da Juventude Eterna, onde se casaram a ainda hoje vivem muito felizes. Continuam jovens e apaixonados. Mas nunca ensinaram a ninguém como chegar à terra onde moram. Infelizmente, como não conhecemos seu endereço, continuaremos envelhecendo e dando lugar às crianças que diariamente nascem em todo o mundo. Por isso a vida, pelo nascimento e morte, continuará se renovando até o fim dos tempos. 
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Nicéas Romeo Zanchett 
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